Matupá/MT: Grupo Nutri Mais entra em Recuperação Judicial
- Equipe - EmpresaemCrise.com

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Com dívida de R$ 22,4 milhões, em meio a crise do agronegócio, Grupo Nutri Mais tem deferido o processamento de sua Recuperação Judicial.

O Grupo Nutri Mais, formado por empresas do setor de insumos agrícolas e de transporte rodoviário de cargas sediadas em Matupá, no norte de Mato Grosso, teve deferido o processamento de sua recuperação judicial. A medida busca dar fôlego às operações do grupo diante de uma crise financeira agravada pela inadimplência em cadeia de seus clientes, majoritariamente produtores rurais atingidos pela queda de preços dos insumos e por perdas climáticas nas últimas safras.
Da revenda de máquinas agrícolas a um grupo com três empresas
A história do grupo começou em 2017, quando seu fundador, após encerrar a sociedade em uma revenda de máquinas agrícolas na região norte de Mato Grosso, identificou uma oportunidade no mercado de insumos e constituiu a empresa que viria a se tornar a "matriz" do grupo, dedicada à comercialização de adubos e fertilizantes foliares. O negócio ganhou espaço rapidamente entre produtores rurais de Matupá, Peixoto de Azevedo, Guarantã do Norte, Novo Mundo, Alta Floresta e Nova Canaã do Norte, chegando a manter uma equipe de cinco consultores técnicos dedicados a vendas e visitas de campo.
Com o crescimento consolidado no "nortão" mato-grossense, o grupo abriu, em janeiro de 2023, uma filial em Santarém, no Pará, para atender também os produtores da região amazônica. Poucos meses depois, em agosto de 2023, nasceu a terceira empresa do grupo, dedicada ao transporte rodoviário de cargas, criada para reduzir a dependência do faturamento sazonal característico do setor de insumos — concentrado apenas nos períodos de safra e safrinha — e para realizar as entregas dos produtos comercializados pelas demais empresas.
Empresas e responsável pelo grupo
Tiveram a recuperação judicial deferida em conjunto, sob consolidação processual e substancial, as seguintes empresas:
Nutri Mais Comércio Atacadista de Insumos e Fertilizantes Agrícolas Ltda (matriz, em Matupá/MT), sua filial em Santarém/PA;
Rodonutri Transportes Ltda, também sediada em Matupá/MT.
As duas companhias têm em comum o mesmo sócio-administrador, Saulo de Tarso Mantovani de Santana, que estruturou o grupo ao longo dos últimos anos em torno da comercialização de insumos agrícolas e do apoio logístico prestado pela transportadora.
Queda nos preços dos insumos e clima adverso levaram à crise
A crise do grupo teve origem em 2024, quando a queda dos preços dos insumos agrícolas e adversidades climáticas em todo o país reduziram drasticamente o faturamento dos produtores rurais que compunham a carteira de clientes das empresas. O resultado foi uma onda de inadimplência: parte dos clientes pediu reprogramação das dívidas, outra parte simplesmente deixou de pagar, e alguns até ingressaram com seus próprios pedidos de recuperação judicial, relacionando as empresas do grupo como credoras.
Como as operações dependiam de adiantamento de recebíveis junto a instituições financeiras, a inadimplência dos clientes gerou um efeito cascata sobre os compromissos bancários do grupo. A transportadora também foi afetada, com a redução do valor dos fretes de grãos em razão da baixa produção agrícola e, mais recentemente, pela alta dos combustíveis a partir de fevereiro de 2026, que comprimiu ainda mais as margens do setor de transporte de cargas. Atualmente, o grupo enfrenta atraso em parcelas de financiamento de caminhões, com risco iminente de ações de busca e apreensão desses veículos por parte de instituições financeiras.
Créditos sujeitos à recuperação judicial
O montante total dos créditos concursais sujeitos à recuperação judicial do Grupo Nutri Mais soma R$ 11.236.404,08, valor que corresponde ao montante atribuído à causa, nos termos do artigo 51, § 5º, da Lei 11.101/2005.
Entre os principais credores constantes da lista apresentada nos autos, destacam-se Banco do Brasil S/A, GDM Genética do Brasil S/A, M Diesel Caminhões e Ônibus Ltda, Prime Agro Produtos Agrícolas S/A e Volkswagen Truck & Bus Indústria e Comércio de Veículos Ltda.
Dívida extraconcursal
Além dos créditos sujeitos ao plano de recuperação judicial, o grupo também responde por créditos extraconcursais, decorrentes principalmente de financiamentos de caminhões e implementos com garantia de alienação fiduciária, que somam aproximadamente R$ 11,1 milhões. Nessa classe, destacam-se como credores o Banco Cooperativo Sicredi S/A, o Banco Randon S/A, o Banco Rodobens S/A, o Banco Volkswagen S/A e o Scania Banco S/A.
Por não se sujeitarem, em regra, aos efeitos da recuperação judicial, esses créditos foram objeto de pedido específico das recuperandas para que os veículos vinculados a eles fossem reconhecidos como bens essenciais à atividade empresarial, resguardados durante o período de blindagem previsto na Lei 11.101/2005.
Processo tramita na 4ª Vara Cível de Sinop/MT
A recuperação judicial do Grupo Nutri Mais tramita perante a 4ª Vara Cível da Comarca de Sinop/MT, sob o número 1014039-49.2026.8.11.0015. Foi nomeada como administradora judicial a empresa CM Administração Judicial e Perícias Ltda.
Os desafios do agronegócio e do setor de insumos agrícolas
O caso do Grupo Nutri Mais ilustra um cenário que tem se repetido entre empresas que atuam na cadeia de insumos agrícolas: a forte dependência do desempenho financeiro dos produtores rurais, agravada pela combinação de preços de commodities em queda e eventos climáticos adversos. Esse tipo de exposição cria um efeito dominó característico do setor, em que a inadimplência do elo final da cadeia — o produtor — se propaga rapidamente para fornecedores de insumos, transportadoras e, por consequência, para o sistema financeiro que os financia.
Para as empresas do grupo, o principal desafio durante a recuperação judicial será equacionar o elevado volume de créditos extraconcursais vinculados a financiamentos de veículos, já que a preservação da frota de caminhões e semirreboques é condição essencial para a continuidade das atividades de comercialização e transporte. A negociação com as instituições financeiras titulares desses créditos, ainda que fora do plano de recuperação, será decisiva para que o grupo mantenha sua capacidade operacional ao longo do processo.
Por fim, a superação da crise dependerá da capacidade do grupo de reorganizar seu passivo concursal por meio de um plano de recuperação judicial consistente, que concilie os interesses dos credores trabalhistas, quirografários e financeiros, ao mesmo tempo em que preserva os empregos gerados pelas três empresas e a função social que exercem nas regiões de Mato Grosso e do Pará onde atuam.
Para saber mais detalhes sobre como funciona o processo de Recuperação Judicial, ter acesso a artigos, doutrina, legislação e jurisprudência atualizada, acesse o link abaixo:
Para conhecer a lista completa de credores apresentada no processo, acesse o arquivo abaixo:
A publicação desta notícia, com todas as informações apresentadas, está baseada no princípio da transparência que norteia o processo de recuperação judicial. Os dados apresentados são públicos e a sua ampla disponibilização ao conhecimento da sociedade está prevista no Art. 22, inciso I, alínea 'k', e no Art. 52, § 1º, incisos I e II, todos da Lei 11.101/2005, bem como Art. 5º inciso LX e Art. 93, inciso IX da Constituição Federal.




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