Itumbiara/GO: Grupo Ailiram entra em Recup. Judicial - Dívida: R$ 54 milhões
- Equipe - EmpresaemCrise.com

- há 18 horas
- 3 min de leitura

O agronegócio goiano acompanha com atenção o desdobramento de mais um pedido de reestruturação judicial do agro no estado. O Grupo Ailiram, tradicional força produtiva de Itumbiara/GO, teve o processamento de sua recuperação judicial deferido pela Justiça de Goiás, visando superar um desequilíbrio financeiro estrutural que ameaça quatro décadas de história no campo. A medida busca preservar a viabilidade de uma operação que é referência técnica e social no setor agropecuário.
A trajetória do Grupo Ailiram confunde-se com a vida de seu fundador, Homero Orlando Ribeiro Neto, que iniciou as atividades em 1979 com o cultivo de algodão em apenas 50 hectares. Ao longo de mais de 40 anos, o grupo expandiu sua atuação para a soja e o milho, consolidando cerca de 1.700 hectares de gestão profissionalizada e pioneirismo em agricultura irrigada. Recentemente, entre 2022 e 2023, o grupo iniciou uma ramificação estratégica para Aliança do Tocantins/TO, buscando novas fronteiras agrícolas.
Figuram no polo ativo do pedido de Recuperação Judicial os produtores rurais Homero Orlando Ribeiro Neto e Marília Domingues de Faria Ribeiro, além da holding Agropecuária Ailiram Ltda.. O Juízo reconheceu a consolidação substancial do grupo, entendendo que a holding, apesar de não possuir atividade operacional própria, é fundamental por deter os ativos imobiliários essenciais utilizados na produção do casal.
O grupo empresarial declarou que a crise nos negócios decorre de uma "tempestade perfeita". Apontam o impacto da guerra entre Ucrânia e Rússia, que elevou drasticamente os custos de fertilizantes, somado ao "efeito tesoura" — quando os custos de produção sobem enquanto os preços de comercialização das commodities (soja e milho) sofrem queda acentuada. Eventos climáticos extremos vinculados ao fenômeno El Niño nas safras 23/24, a taxa SELIC elevada em 15% e a suspensão de financiamentos subsidiados do Plano Safra 24/25 asfixiaram o fluxo de caixa das operações.
A dívida total do grupo alcança R$ 54.454.312,41. Deste montante, o passivo extraconcursal (créditos que, em regra, não se sujeitam aos efeitos da recuperação) soma R$ 21.430.153,47. A lista de credores é composta majoritariamente por instituições financeiras de grande porte, como Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Sicredi, além de empresas de insumos como a Nutrien Soluções Agrícolas e Garcia Agronegócio.
O processo tramita sob o número 5043719-43.2026.8.09.0087 perante a 2ª Vara Cível e Ambiental da Comarca de Itumbiara/GO. O magistrado nomeou o escritório Flávio Cardoso Advogados Associados (Dr. Flávio Cardoso, OAB/GO nº 24.920) para atuar como Administrador Judicial, responsável por fiscalizar o cumprimento dos prazos e a regularidade do processo.
O principal desafio do Grupo Ailiram será reestruturar seu passivo em um ambiente de crédito restritivo e custos financeiros proibitivos. Embora a Justiça tenha garantido a blindagem temporária de maquinários e veículos essenciais, o indeferimento da essencialidade dos grãos e dos ativos financeiros impõe a necessidade de uma gestão de caixa extremamente rigorosa para garantir o novo plantio e a manutenção da atividade durante o stay period.
Para saber mais detalhes sobre como funciona o processo de Recuperação Judicial, ter acesso a artigos, doutrina, legislação e jurisprudência atualizada, acesse o link abaixo:
Para conhecer a lista completa de credores apresentada no processo, acesse o arquivo abaixo:
A publicação desta notícia, com todas as informações apresentadas, está baseada no princípio da transparência que norteia o processo de recuperação judicial. Os dados apresentados são públicos e a sua ampla disponibilização ao conhecimento da sociedade está prevista no Art. 22, inciso I, alínea 'k', e no Art. 52, § 1º, incisos I e II, todos da Lei 11.101/2005, bem como Art. 5º inciso LX e Art. 93, inciso IX da Constituição Federal.




Comentários