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Sorriso/MT: Grupo Soyagro tem recuperação judicial deferida com dívida de R$ 205,1 milhões

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    Equipe - EmpresaemCrise.com
  • há 15 horas
  • 5 min de leitura

Efeito cascata da inadimplência do agro leva tradicional revenda de insumos do norte do Mato Grosso a recorrer a justiça, com pedido de recuperação judicial.


Muda agrícola com fertilizante no solo; Grupo Soyagro, de Sorriso/MT, está em recuperação judicial com dívida de R$ 205,1 milhões.

A 4ª Vara Cível da Comarca de Sinop, em Mato Grosso, deferiu o processamento da recuperação judicial do Grupo Soyagro, conglomerado empresarial e familiar com sede em Sorriso/MT, dedicado à revenda de insumos agrícolas e à produção rural no norte do Estado. A decisão abrange sete sociedades empresárias e três produtores rurais que atuam sob a mesma marca, com dívida total estimada em R$ 205.104.855,71, somando créditos concursais e extraconcursais.



Como surgiu o Grupo Soyagro e quais atividades desenvolve

O Grupo Soyagro nasceu em Sorriso/MT, em 2014, com a fundação da Bocchi e Fabian Ltda. A partir daí, o grupo seguiu uma trajetória de expansão regional: em abril de 2015, inaugurou sua primeira filial em Porto dos Gaúchos/MT, com a Comércio de Insumos Agrícolas Soyagro Ltda; em 2021, chegou a Alta Floresta/MT, com a BFF Insumos Agrícolas Ltda, e fortaleceu sua presença em Matupá/MT, com a FB Comércio Agrícola Ltda; e, em 2022, rompeu fronteiras estaduais ao abrir uma unidade em Novo Progresso/PA (BFDT Insumos Agrícolas Ltda), além de inaugurar loja em Marcelândia/MT (BFC Insumos Agrícolas Ltda).


Atualmente, o grupo opera seis lojas no norte de Mato Grosso e uma no Pará, todas sob a marca única "Soyagro", atuando no comércio atacadista de defensivos agrícolas, adubos, fertilizantes e corretivos de solo. Em 2019, diante da crescente inadimplência de clientes que quitavam dívidas com maquinário agrícola em dação de pagamento, os sócios Artêmio Junior Fabian e Flávio José Bocchi decidiram diversificar a atuação do grupo e ingressar na produção agrícola. Em conjunto com a produtora rural Ana Paula Valdameri Fabian, esposa de Flávio, arrendaram uma área de 1.530 hectares em Alta Floresta/MT, hoje denominada Fazenda Maju, destinada ao cultivo de soja e milho.



Quem são os empresários e empresas beneficiados pela recuperação judicial do Grupo Soyagro

A recuperação judicial do Grupo Soyagro foi deferida em favor das sociedades empresárias Bocchi e Fabian Ltda, BF Comércio de Insumos Agrícolas Ltda, Comércio de Insumos Agrícolas Soyagro Ltda, BFF Insumos Agrícolas Ltda, FB Comércio Agrícola Ltda, BFDT Insumos Agrícola Ltda e BFC Insumos Agrícolas Ltda, bem como dos produtores rurais Flávio José Bocchi, Artêmio Junior Fabian e Ana Paula Valdameri Fabian.


O juízo também deferiu a consolidação processual e substancial do grupo, autorizando a tramitação unificada do processo e a apresentação de um único Plano de Recuperação Judicial para todas as recuperandas. Segundo a decisão, a medida se justifica pela existência de administração e gestão concentradas, identidade de credores e fornecedores, caixa centralizado, garantias cruzadas e atuação conjunta no mercado sob a marca única Soyagro, elementos que, na avaliação do Juízo, evidenciam intensa interconexão entre os ativos e passivos das requerentes.



Os motivos da crise financeira que levou o Grupo Soyagro à recuperação judicial

Segundo a petição inicial, a atividade de revenda de insumos agrícolas exige capital intensivo e opera com margens líquidas reduzidas, entre 0,5% e 3,5%, o que torna o negócio altamente sensível a oscilações de custo e de crédito. O Grupo Soyagro atribui sua crise econômico-financeira à conjugação de diversos fatores: a elevação expressiva das taxas de juros, com a Selic atingindo 14,75% ao ano, o maior patamar em 19 anos; as variações cambiais e o encarecimento de insumos agravado pelo conflito entre Rússia e Ucrânia; a queda nos preços de commodities como soja, milho, feijão e algodão; e as quebras de safra que reduziram a capacidade de pagamento dos produtores rurais atendidos pelas revendas.


Some-se a isso a inadimplência estrutural entre os produtores clientes das empresas do grupo, que ultrapassa 10% do faturamento anual, com picos superiores a 25% em determinadas regiões e culturas. Essa inadimplência gerou um efeito cascata sobre o caixa do Grupo Soyagro, que hoje acumula mais de R$ 60 milhões em endividamento bancário e possui R$ 115 milhões em recebíveis de clientes inadimplentes. Parte relevante desses créditos está travada justamente por processos de recuperação judicial ajuizados pelos próprios produtores devedores: o grupo figura como credor em 14 processos dessa natureza em diferentes comarcas do país, com cerca de R$ 40 milhões em créditos a receber sem perspectiva imediata de recebimento.



Valor total da dívida e os maiores credores do Grupo Soyagro

De acordo com a relação de credores apresentada no processo, o valor total sujeito à recuperação judicial (créditos concursais) soma R$ 177.020.694,41, acrescido de US$ 5.308.915,18 em créditos denominados em dólar, distribuídos entre 215 credores. Somado ao passivo extraconcursal, o valor total da dívida do Grupo Soyagro informado no processo alcança R$ 205.104.855,71.


Entre os credores sujeitos à recuperação judicial, destacam-se, pelo volume de crédito, os seguintes:


●       Longping High-Tech Biotecnologia Ltda

●       CTVA Proteção de Cultivos Ltda (grupo Corteva)

●       Caixa Econômica Federal

●       Tecnomyl Brasil Distribuidora de Produtos Agrícolas Ltda

●       FAR – Fator Administração de Recursos Ltda

●       Banco Safra S.A.

●       Stine Seed Sementes do Brasil Ltda



Dívida extraconcursal do Grupo Soyagro

Além dos créditos sujeitos à recuperação judicial, o Grupo Soyagro possui R$ 4.437.660,84 em créditos extraconcursais, ou seja, não abrangidos pelo processo e que devem ser pagos normalmente, fora do plano de recuperação. Essa dívida está distribuída entre o Estado de Mato Grosso, credor de tributos estaduais, a Stara Financeira S.A., a Central Sicredi Centro Norte do Brasil e o Banco do Brasil S.A.



Número do processo, juízo e administração judicial

A recuperação judicial do Grupo Soyagro tramita sob o número 1018772-58.2026.8.11.0015, perante a 4ª Vara Cível da Comarca de Sinop, em Mato Grosso. A administração judicial do processo foi confiada à empresa Ex Lege Administração Judicial Ltda.



Os desafios do agronegócio e do Grupo Soyagro na recuperação judicial

O caso do Grupo Soyagro reflete um cenário mais amplo enfrentado pelo agronegócio brasileiro, especialmente pelas revendas de insumos e pelos produtores rurais de Mato Grosso. A combinação de juros elevados, câmbio instável, queda de preços de commodities e inadimplência crescente entre produtores tem impulsionado uma onda de pedidos de recuperação judicial no setor, fenômeno amplamente noticiado pela imprensa econômica nos últimos meses e que expõe a fragilidade financeira de empresas historicamente lucrativas, mas dependentes de capital de giro intensivo e de crédito bancário para sustentar suas operações.


Para o Grupo Soyagro, o principal desafio ao longo da recuperação judicial será equacionar, em um único plano, os interesses de 215 credores concursais e das diferentes sociedades consolidadas, ao mesmo tempo em que busca reequilibrar seu fluxo de caixa, hoje pressionado por dezenas de milhões de reais em recebíveis travados em processos de recuperação judicial de seus próprios clientes produtores rurais. A complexidade operacional do grupo, com unidades distribuídas em dois Estados e atuação simultânea na revenda de insumos e na produção agrícola, deverá exigir fiscalização intensa por parte da administração judicial e disciplina rigorosa no cumprimento das obrigações assumidas.


Por fim, a recuperação judicial se apresenta como instrumento legal para viabilizar a superação da crise econômico-financeira, nos termos do art. 47 da Lei nº 11.101/2005, preservando a fonte produtora, os empregos gerados e a função social exercida pelo Grupo Soyagro na cadeia produtiva do agronegócio regional. O sucesso da reestruturação, contudo, dependerá da capacidade do grupo de renegociar seus débitos, reconquistar a confiança de fornecedores e instituições financeiras e adaptar seu modelo de negócio a um cenário de crédito mais restritivo e de inadimplência estrutural entre seus clientes.


Para saber mais detalhes sobre como funciona o processo de Recuperação Judicial, ter acesso a artigos, doutrina, legislação e jurisprudência atualizada, acesse o link abaixo:



Para conhecer a lista completa de credores apresentada no processo, acesse o arquivo abaixo:


A publicação desta notícia, com todas as informações apresentadas, está baseada no princípio da transparência que norteia o processo de recuperação judicial. Os dados apresentados são públicos e a sua ampla disponibilização ao conhecimento da sociedade está prevista no Art. 22, inciso I, alínea 'k', e no Art. 52, § 1º, incisos I e II, todos da Lei 11.101/2005, bem como Art. 5º inciso LX e Art. 93, inciso IX da Constituição Federal.

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