Sapezal/MT: Grupo Bianchi entra em Rec. Judicial - Dívida: R$ 95 milhões
- Equipe - EmpresaemCrise.com

- 16 de fev.
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O Grupo Bianchi, tradicional força econômica do Oeste mato-grossense, protocolou oficialmente seu pedido de recuperação judicial perante a 1ª Vara Cível de Cuiabá. A medida visa estancar a crise financeira que ameaça a continuidade de suas operações e permitir uma reorganização estruturada sob supervisão judicial, fundamentada nos princípios de preservação da empresa e sua função social.
A trajetória do grupo consolidou-se ao longo de mais de vinte anos, iniciando-se na década de 1990 com a parceria entre Renato Luiz Bampi e Murilo Antônio Bianchi no setor de combustíveis. Com o tempo, o núcleo familiar expandiu-se para o transporte rodoviário e a produção agrícola em larga escala, tornando-se um agente vital na cadeia produtiva de municípios como Pontes e Lacerda, Sapezal e Campos de Júlio. Hoje, o grupo atua de forma integrada no abastecimento energético (TRR), logística de cargas e cultivo de grãos como soja e milho.
O pedido de recuperação foi submetido em conjunto pelas empresas MT Comércio de Combustíveis Ltda. e Bianchi Transportes Ltda., além dos empresários individuais Odirlei Bianchi, Renato Luiz Bampi e Vanderlei Murilo Bianchi. Os requerentes defendem a existência de um grupo econômico de fato, com operações e ativos interpendentes, o que justifica a consolidação processual do feito.
A crise que levou o grupo ao Judiciário é atribuída a uma combinação severa de fatores externos e climáticos. Entre os principais motivos citados estão:
Adversidades Climáticas: Secas severas e excesso de chuvas em safras passadas que reduziram drasticamente a produtividade agrícola.
Fatores Econômicos: Queda acentuada nos preços das commodities, especialmente da soja, e alta nos custos de insumos e logística.
Impactos Logísticos: A seca histórica no Rio Madeira dificultou o transporte de combustíveis, aumentando custos operacionais.
Restrição de Crédito: Redução de prazos por fornecedores estratégicos e juros elevados que comprometeram o capital de giro.
A dívida total declarada pelo grupo monta a R$ 95.456.092,54. Entre os principais credores destacam-se grandes instituições financeiras e fornecedores de energia, como o Banco do Brasil, com créditos que superam R$ 11 milhões, além da Vibra Energia S/A e Petróleo Sabba S/A. Parte relevante do passivo é composta por dívidas bancárias com garantias reais e créditos quirografários provenientes de operações comerciais.
O processo tramita sob o número 1111137-87.2025.8.11.0041 perante a 1ª Vara Cível de Cuiabá – Especializada em Recuperação Judicial e Falência. Como administrador judicial, o juízo nomeou a Caio Almeida Sociedade Individual de Advocacia.
Em conclusão, os principais desafios do Grupo Bianchi residem na necessidade de renegociar um passivo volumoso em um cenário de incerteza climática e volatilidade de preços no agronegócio. A manutenção da posse de bens de capital essenciais, como caminhões e maquinários, e a preservação do fluxo de caixa para as próximas safras serão determinantes para que o plano de recuperação seja aprovado e o grupo consiga retomar sua estabilidade financeira, honrando seus compromissos e preservando os mais de 100 empregos diretos gerados.
Para saber mais detalhes sobre como funciona o processo de Recuperação Judicial, ter acesso a artigos, doutrina, legislação e jurisprudência atualizada, acesse o link abaixo:
Para conhecer a lista completa de credores apresentada no processo, acesse o arquivo abaixo:
A publicação desta notícia, com todas as informações apresentadas, está baseada no princípio da transparência que norteia o processo de recuperação judicial. Os dados apresentados são públicos e a sua ampla disponibilização ao conhecimento da sociedade está prevista no Art. 22, inciso I, alínea 'k', e no Art. 52, § 1º, incisos I e II, todos da Lei 11.101/2005, bem como Art. 5º inciso LX e Art. 93, inciso IX da Constituição Federal.




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