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Oportunidade: Leilão de diversos bens de construtora falida

  • Foto do escritor: Equipe Sergio Schmidt Advocacia
    Equipe Sergio Schmidt Advocacia
  • 8 de jul. de 2025
  • 3 min de leitura

Ativos industriais e imóveis localizados em pontos estratégicos de Mato Grosso, Goiás e Amazonas, somando mais de R$ 120 milhões, irão a leilão judicial a partir de 11 de julho. O valioso portfólio é resultado da falência da Kade Engenharia e Construções, uma das grandes empresas do setor de obras públicas e logística, e representa uma chance única para investidores atentos adquirirem bens de alto valor por preços potencialmente muito competitivos.



O Leilão Como Oportunidade de Investimento

Longe de ser apenas o fim de uma empresa, um leilão de massa falida é o início de um novo ciclo para seus ativos. O objetivo é a liquidação rápida para pagar credores, o que cria um cenário favorável para compradores.


O portfólio da Kade Engenharia é vasto e diversificado, incluindo:

  • Complexos Industriais e Galpões: Ativos estratégicos localizados em Mato Grosso, Goiás e Amazonas, ideais para empresas de logística, agronegócio ou indústria que buscam expandir suas operações. O destaque é um complexo industrial com lance inicial de R$ 53 milhões.


  • Prédios Comerciais e Propriedades Rurais: Oportunidades para o setor de serviços, varejo ou para investidores do agronegócio.


  • Terrenos e Quotas de Participação: Ativos com grande potencial de valorização futura, disponíveis com lances iniciais mais baixos, a partir de R$ 57 mil.


A principal vantagem para o arrematante em um leilão de falência é a aquisição livre de ônus. De acordo com a Lei de Falências, o imóvel é transferido ao novo proprietário livre de dívidas anteriores, como hipotecas ou penhoras. O valor pago pelo arrematante vai para a massa falida, que então quita as dívidas na ordem de preferência legal, limpando o histórico do ativo para o novo dono.


As Etapas do Leilão na Lei de Falências (Lei nº 11.101/2005)

Para entender o potencial de um bom negócio, é fundamental conhecer como o leilão judicial funciona no âmbito de uma falência. O processo é desenhado para garantir a venda dos ativos e possui etapas bem definidas:


  • 1ª Praça (Primeiro Leilão): Nesta fase inicial, os bens são ofertados pelo valor integral da avaliação judicial. É a tentativa de vender o ativo por seu preço cheio de mercado. Se não houver lances, o leilão é considerado "negativo".


  • 2ª Praça (Segundo Leilão): Realizada em seguida, esta é a etapa que mais atrai investidores. A lei permite que os bens sejam vendidos por qualquer valor acima de 50% da avaliação inicial. Isso significa que um imóvel avaliado em R$ 10 milhões pode ser legalmente arrematado por R$ 5,1 milhões, por exemplo.


  • Venda Direta ou Propostas Fechadas: Caso os leilões resultem negativos, o juiz e o administrador judicial podem optar por modalidades de venda direta ou recebimento de propostas fechadas. A Lei de Falências (especialmente após as atualizações da Lei 14.112/2020) preza pela flexibilidade para maximizar a arrecadação. É importante notar que, na falência, o conceito de "preço vil" (valor irrisório) é afastado para garantir a liquidação. O objetivo é transformar o patrimônio em dinheiro para pagar a dívida, tornando qualquer oferta razoável, a melhor oferta.


Análise da Crise: A Queda de uma grande empresa

A história da Kade Engenharia é emblemática do risco empresarial no Brasil. A empresa construiu um império com forte atuação em obras públicas e projetos de logística para o agronegócio, setores que dependem fortemente de ciclos econômicos e contratos governamentais.


A crise da construtora pode ser analisada por alguns prismas:

  1. Dependência de Contratos Públicos: Empresas que têm o governo como principal cliente ficam vulneráveis a mudanças políticas, atrasos em pagamentos e paralisação de obras, o que afeta drasticamente o fluxo de caixa.


  2. Alavancagem Excessiva: Grandes projetos exigem alto investimento e endividamento. Uma retração econômica ou a perda de um contrato chave pode tornar a dívida insustentável, como evidenciado pelo passivo de mais de R$ 90 milhões que a empresa deixou.


  3. Fracasso na Recuperação Judicial: A Kade passou por um dos mais longos processos de recuperação judicial de Santa Catarina. A falha em cumprir o plano de recuperação demonstra que a crise era estrutural e profunda, indo além de um problema momentâneo de liquidez. A recuperação judicial é uma ferramenta de reestruturação, não de ressurreição; sem uma base operacional e financeira viável para se reorganizar, a falência torna-se o único caminho.


Em suma, o leilão da Kade Engenharia é um evento de duas faces: o fim trágico para uma empresa que já foi referência, mas uma porta de entrada para investidores que sabem reconhecer o valor em ativos estratégicos e entendem as regras favoráveis que um processo de falência pode oferecer.

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