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Lucro não é pecado... Itaú, Bradesco e Santander anunciam R$ 87bi

  • Foto do escritor: Equipe - EmpresaemCrise.com
    Equipe - EmpresaemCrise.com
  • 8 de fev.
  • 2 min de leitura

Atualizado: 9 de fev.

Lucro não é pecado. Repetir isso em voz alta virou quase um ritual defensivo no Brasil. E, convenhamos, não deveria ser necessário. O problema não é o lucro. O problema é quando ele vira exceção seletiva — abundante para poucos, escasso para muitos.


Na semana passada, os maiores bancos do país divulgaram seus resultados. Itaú anunciou R$ 46,8 bilhões de lucro em 2025, 13% acima de 2024. Bradesco veio logo atrás, com R$ 24,6 bilhões, um salto de 26%. Santander fechou o trio com R$ 15,6 bilhões, crescimento de 12%. Somados, R$ 87 bilhões. Um número que impressiona.


Enquanto isso, do outro lado do balcão, a economia real pede socorro. Empresas fecham portas, cortam quadro de funcionários, renegociam dívidas e recorrem à recuperação judicial como último fôlego. 2025 bateu recorde histórico de pedidos. A inadimplência cresce. O caixa some. O crédito encarece. O risco se espalha. A sobrevivência vira pauta diária.


E aqui nasce o paradoxo que os números já não conseguem esconder: enquanto a economia produtiva sangra, o capital financeiro exibe resiliência contundente. Ano após ano. Crise após crise. Como se estivesse vacinado contra o ciclo econômico que devora quem produz, transforma, gera empregos e renda.


É claro que eficiência existe. Bancos bem geridos colhem resultados. Mas quando o sistema financeiro prospera em meio à asfixia generalizada das empresas, a pergunta deixa de ser contábil e passa a ser estrutural.


Crise para quem?

Risco para quem?

Quem, de fato, está pagando a conta?


Há momentos em que números deixam de ser meros indicadores e se tornam sintomas. Sintomas de um modelo em que a crise é socializada, enquanto os lucros permanecem concentrados. Em que o custo do crédito penaliza quem precisa investir para sobreviver, mas não arranha quem vive da intermediação.


Não se trata de demonizar bancos. O sistema financeiro é vital. Mas ele é intermediário. Quem gera riqueza é quem planta, fabrica, transporta, desenvolve, presta serviços. É quem transforma insumo em valor. Sem empresas, não há economia forte. E, por óbvio, sem empresas, nem mesmo o sistema financeiro sobrevive.


O debate, portanto, vai além dos balanços trimestrais e anuais. É um debate sobre modelo econômico, alocação de riscos, justiça distributiva. Sobre o equilíbrio — ou o desequilíbrio — entre quem financia e quem produz. Ignorar esse paradoxo é normalizar um país onde a crise tem endereço certo e o lucro, CEP exclusivo.


Lucro não é pecado. Mas quando ele cresce isolado, cercado de falências por todos os lados, é sinal de que algo mais profundo precisa ser discutido. Sergio Schmidt - Advogado OAB/GO 51041- Email: sergio@sergioschmidt.com

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