Goiânia/GO - Grupo Ágape pede Recuperação Judicial
- Equipe - EmpresaemCrise.com

- 4 de fev.
- 3 min de leitura

O Grupo Ágape, tradicional conglomerado do setor têxtil e de artigos religiosos com mais de 26 anos de história, protocolou oficialmente seu pedido de recuperação judicial perante o Poder Judiciário do Estado de Goiás. Fundado pelo empresário Eli Zago, o grupo iniciou suas atividades com uma pequena loja em Anápolis e expandiu-se para um complexo industrial e comercial especializado na confecção de vestuário voltado à evangelização, sendo responsável hoje pela geração de 65 empregos diretos e aproximadamente 1.000 indiretos.
O pedido de soerguimento foi apresentado em litisconsórcio ativo pelas seguintes empresas e empresários:
Ágape Artigos Religiosos Ltda-ME;
Ágape Confecções de Camisetas Eireli EPP;
Ágape Marka de Confecções Eireli - EPP;
Ágape Moda Indústria e Comércio de Vestuário Ltda-ME;
Camisetas Ágape Eireli;
Ágape Produtos Eireli ME;
Ágape Comércio Eireli ME;
Sol Nascente e Sol Poente Serviços Ltda;
Os Motivos da Crise
A situação de insolvência do Grupo Ágape foi desencadeada por uma sucessão de eventos adversos iniciados em 2020. O lockdown decorrente da pandemia de COVID-19 paralisou as vendas na semana de lançamento da "Coleção de Mães", a principal do ano, resultando em um estoque parado de 120 mil peças. Somaram-se a isso o insucesso na expansão para o mercado internacional (prejuízo de R$ 2 milhões), falhas na implementação de um novo sistema de gestão ERP (perda de faturamento de R$ 3 milhões) e o aumento drástico da taxa SELIC, que elevou o custo do capital de giro e dos financiamentos bancários.
Dívidas e Credores
O passivo total sujeito aos efeitos da recuperação judicial soma R$ 14.099.775,03. Entre os principais credores destacam-se instituições financeiras como o Banco do Brasil (com créditos de garantia real superiores a R$ 1,3 milhão) e o Banco Bradesco (com vultosos créditos quirografários). A lista também contempla uma extensa classe trabalhista e diversos fornecedores de insumos têxteis e serviços.
Processo e Administração
A demanda tramita sob o número 6073097-72.2025.8.09.0051 perante a 4ª Vara Cível da Comarca de Goiânia-GO. Em decisão inicial, o Juízo determinou a realização de uma constatação prévia das condições de funcionamento das empresas e nomeou como perito contábil (e potencial administrador judicial) o Sr. Marcus Juliano Rocha Branco, da GUARDIANS Administração Judicial.
Desafios da Recuperação
O processo de recuperação judicial do Grupo Ágape enfrenta o desafio imediato de preservar ativos essenciais, como maquinários de estamparia e veículos de logística, essenciais para a manutenção da fonte produtora. A crise demonstra a vulnerabilidade de empresas industriais a oscilações macroeconômicas e custos financeiros elevados, exigindo agora um plano de reestruturação rigoroso que harmonize a satisfação dos credores com a continuidade da função social da empresa.
Para saber mais detalhes sobre como funciona o processo de Recuperação Judicial, ter acesso a artigos, doutrina, legislação e jurisprudência atualizada, acesse o link abaixo:
Para conhecer a lista completa de credores apresentada no processo, acesse o arquivo abaixo:
A publicação desta notícia, com todas as informações apresentadas, está baseada no princípio da transparência que norteia o processo de recuperação judicial. Os dados apresentados são públicos e a sua ampla disponibilização ao conhecimento da sociedade está prevista no Art. 22, inciso I, alínea 'k', e no Art. 52, § 1º, incisos I e II, todos da Lei 11.101/2005, bem como Art. 5º inciso LX e Art. 93, inciso IX da Constituição Federal.




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