Mais de 30 mil empresas recorreram à recuperação judicial na última década
- Equipe Sergio Schmidt Advocacia
- 21 de jun. de 2025
- 2 min de leitura

Entre 2015 e 2025, 31.773 empresas ingressaram com pedidos de recuperação judicial no Brasil, impactando diretamente 33.945 empresas credoras. Ao todo, foram 48.205 processos distintos, movimentando 65.718 empresas no sistema judiciário em um intervalo de apenas 10 anos.
Os dados fazem parte de um estudo inédito da Predictus, um dos maiores banco de dados judiciais do país, e lançam luz sobre o cenário crítico da saúde financeira empresarial no Brasil. A pesquisa foi divulgada no último dia 18 e traça um raio-X das companhias em dificuldades, suas características e as causas estruturais que impulsionam a crise.
Indústria lidera os pedidos, com concentração em São Paulo
O setor industrial foi o mais afetado pelos pedidos de recuperação, demonstrando que o coração produtivo do país também enfrenta sérios entraves de sustentabilidade econômica. Geograficamente, a maioria dos casos se concentra na Região Sudeste, com o Estado de São Paulo na liderança com cerca de 71% dos processos.
O pico de pedidos foi registrado em 2017, num reflexo tardio dos efeitos devastadores da crise econômica de 2014 a 2016, que atingiu o crédito, a confiança do investidor e o consumo interno.
Nem a longevidade garante blindagem contra a crise
Ao contrário do que muitos imaginam, a média de idade das empresas em recuperação judicial foi de 34,6 anos, evidenciando que tempo de mercado não significa solidez.
Veja a distribuição etária das empresas recuperandas:
De 10 a 20 anos (Estabelecidas) – 7.313 empresas
De 30 a 50 anos (Veteranas) – 9.964 empresas
Com mais de 50 anos (Centenárias) – 10.311 empresas
De 0 a 5 anos (Muito jovens) – 729 empresas
De 5 a 10 anos (Jovens) – 2.971 empresas
Segundo a análise, a prevalência de empresas mais antigas e estabelecidas sugere que a longevidade não garante imunidade a graves dificuldades financeiras.
Natureza jurídica e setores mais afetados
A forma jurídica mais comum entre as empresas que ingressaram com pedidos de recuperação judicial foi a Sociedade Empresária Limitada (Ltda.), com 19.383 casos. Em seguida aparecem:
Sociedade Anônima Fechada – 5.421 empresas
Sociedade Anônima Aberta – 3.482 empresas
Entre os segmentos econômicos, chama atenção a presença expressiva de empresas de telefonia fixa comutada, com 3.048 processos, sinalizando a crise do setor frente à evolução tecnológica e perda de relevância. Em seguida aparecem:
Construção de edifícios – 936 empresas
Incorporação imobiliária – 576 empresas
Transporte rodoviário de carga – 482 empresas
Holdings não financeiras – 437 empresas
Esse cenário evidencia que, mesmo companhias com acesso privilegiado ao mercado de capitais — como as Sociedades Anônimas Abertas — não estão imunes às turbulências financeiras. A presença expressiva dessas empresas entre os pedidos de recuperação judicial demonstra que os instrumentos de captação de recursos, por si sós, não são suficientes para garantir estabilidade ou resiliência em momentos de crise.
O panorama apresentado revela também uma fragilidade estrutural no tecido empresarial brasileiro, marcada por deficiências em planejamento estratégico, governança corporativa, gestão de riscos e capacidade de adaptação às transformações econômicas e setoriais.
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