Água Boa/MT: Família Rodrigues entra em recuperação judicial com dívida de R$ 25,7 milhões
- Equipe Sergio Schmidt Advocacia
- 31 de jul. de 2025
- 2 min de leitura

A crise no agronegócio mato-grossense não atinge apenas os grandes conglomerados. Produtores rurais de base familiar, com décadas de história na terra, também enfrentam severas dificuldades financeiras, buscando na lei um caminho para a reestruturação. Este é o cenário do Grupo Família Rodrigues, tradicional grupo de produtores da região de Água Boa, que obteve na justiça o deferimento do processamento de seu pedido de Recuperação Judicial, cuja dívida declarada ultrapassa os R$ 25 milhões. A decisão abre um período crucial de negociação com os credores, buscando a continuidade das atividades agrícolas que marcam a história da família há mais de 60 anos.
Em petição formal protocolada em 28 de maio de 2025, requereram o benefício da Recuperação Judicial os produtores rurais Vagner Leandro Rodrigues, Vicente Rodrigues e Marlene Galbine Rodrigues. O grupo, que atua em regime de economia familiar, foi reconhecido como um grupo econômico de fato, o que justificou o processamento conjunto do pedido com consolidação substancial dos ativos e passivos, conforme autorizado pelo juízo.
A crise que levou ao pedido de socorro ao Judiciário foi resultado de uma combinação de fatores adversos que impactaram severamente o setor agrícola nos últimos anos. Os principais motivos elencados pelos produtores foram:
Crise Climática: Uma severa estiagem que atingiu a região, levando o município de Água Boa/MT a decretar situação de emergência ambiental em 2024.
Queda nos Preços das Commodities: A drástica redução nos valores de mercado da soja e do milho, principais culturas do grupo, comprometeu o faturamento esperado.
Aumento dos Custos de Produção: A alta no preço de insumos essenciais, como sementes e fertilizantes, elevou os custos operacionais, pressionando ainda mais as margens de lucro.
Dificuldades de Crédito: O endurecimento das condições para negociação com instituições financeiras, que passaram a impor juros elevados, tornou a gestão do passivo insustentável.
O valor total da dívida sujeita à Recuperação Judicial, conforme consta nos autos do processo, é de R$ 25.707.865,38. Entre os principais credores do grupo, destacam-se a Cooperativa de Crédito, Poupança e Investimento do Araguaia e Xingu - Sistema Sicredi e o Banco CNH Industrial Capital S.A.. Não foi informado nos documentos judiciais o valor total das dívidas extraconcursais, aquelas que não se submetem ao plano de recuperação. Contudo, a decisão judicial determinou a instauração de um procedimento de mediação específico para negociar com esses credores.
O processo de Recuperação Judicial tramita publicamente sob o número 1013927-53.2025.8.11.0003 perante a 4ª Vara Cível de Rondonópolis/MT, juízo especializado em Recuperação Judicial e Falência. Para conduzir o processo, foi nomeada como Administradora Judicial o escritório Cardoso & Cardoso Advogados, representada pela Dra. Gisela Cardoso.
Com o deferimento do processamento, o Grupo Rodrigues obtém a suspensão de todas as ações e execuções pelo prazo de 180 dias, o chamado stay period, conforme o artigo 6º da Lei 11.101/2005. A partir de agora, os produtores terão o prazo improrrogável de 60 dias para apresentar um plano detalhado de reestruturação de suas dívidas, que será submetido à aprovação da assembleia-geral de credores. A medida é um fôlego essencial para que a família possa reorganizar suas finanças, honrar seus compromissos e, acima de tudo, preservar a continuidade de uma atividade produtiva que é o seu legado.
Para conhecer a lista completa de credores fornecida pelos recuperandos, acesse o arquivo a seguir:




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