São Paulo/SP: Nova Chamfer Ind. de Embalagens entra em Recuperação Judicial
- Equipe - EmpresaemCrise.com
- há 3 dias
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A Nova Chamfer Indústria e Comércio de Embalagens Ltda., tradicional fabricante paulistana de embalagens plásticas rígidas, teve o processamento de sua recuperação judicial formalmente deferido pelo Poder Judiciário do Estado de São Paulo. O pedido, formulado com base na Lei 11.101/2005, representa o esforço da empresa para superar a grave crise financeira que passou a comprometer sua capacidade de honrar compromissos com credores, empregados e fornecedores, preservando, ao mesmo tempo, suas atividades produtivas e os empregos.
Histórico e Atividades Econômicas
Fundada em 2001, inicialmente sob a denominação de Nova Era, a partir da visão empreendedora de seu sócio fundador Leonardo Cedotti Falco, a empresa surgiu com o propósito de desenvolver e comercializar embalagens plásticas rígidas destinadas, primordialmente, aos setores de alimentos e bens de consumo. Ao longo de mais de duas décadas, expandiu continuamente seu portfólio, passando a fabricar potes, baldes e frascos injetados em polipropileno (PP), além de incorporar a tecnologia de rotulagem In Mold Label (IML), o que lhe permitiu conquistar um espaço de destaque no mercado nacional.
Nos últimos exercícios sociais, a empresa passou a operar sob a marca Nova Chamfer, fruto de um processo de modernização institucional e reposicionamento estratégico voltado à agregação de valor e ao desenvolvimento de soluções sustentáveis. Atualmente, configura-se como uma indústria de médio porte, com parque fabril de 10.000 m² em área total de 25.000 m², situada em São Paulo/SP. Associada à ABRE e à ABIPLAST, a Nova Chamfer conta com aproximadamente 320 empregados diretos e cerca de 80 trabalhadores indiretos, atendendo clientes como Saint-Gobain, Lola Cosmetics, La Ganexa, Catupiry, Jika, Sherwin-Williams e outros. A empresa foi premiada com o Prêmio ABRE da Embalagem Brasileira nas edições de 2023 e 2025.
Empresa Requerente
O pedido de recuperação judicial foi requerido pela seguinte empresa:
Nova Chamfer Indústria e Comércio de Embalagens Ltda. — CNPJ: 04.596.745/0001-16
Causas da Crise Econômico-Financeira
A crise de liquidez e o processo de descapitalização enfrentados pela Nova Chamfer decorrem da conjugação de múltiplos fatores. O principal vetor foi a necessidade de realização de vultosos investimentos para a relocação de sua planta industrial do Município de Cotia/SP para São Paulo/SP — processo que demandou aportes da ordem de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais), viabilizados integralmente mediante empréstimos bancários. Isso elevou substancialmente o nível de alavancagem financeira da empresa e o custo do serviço de sua dívida. Durante os aproximadamente 12 meses em que durou a mudança, a capacidade produtiva foi significativamente reduzida, com reflexos diretos no faturamento e perda temporária de clientes.
Esse processo foi agravado pelo cenário macroeconômico de juros elevados que persistiu no Brasil nos últimos anos, pelo encarecimento do crédito e pela redução da capacidade de rolagem das obrigações financeiras. A instabilidade política e crises setoriais também contribuíram para reduzir a demanda nos segmentos de alimentos, sorvetes, açaí e cosméticos. Somam-se ainda o alongamento dos prazos médios de recebimento por parte de grandes clientes, o crescimento das despesas fixas operacionais sem o correspondente incremento nas margens de contribuição, e o acúmulo de passivos financeiros, tributários e trabalhistas. O mercado bancário, por sua vez, exigiu a quitação de linhas de crédito existentes, reduzindo ainda mais o capital de giro disponível ao mesmo tempo em que elevava o custo das novas operações.
Dívida Sujeita à Recuperação Judicial e Principais Credores
O valor total dos créditos sujeitos à recuperação judicial da Nova Chamfer soma R$ 94.765.162,95 (noventa e quatro milhões, setecentos e sessenta e cinco mil, cento e sessenta e dois reais e noventa e cinco centavos), distribuídos entre as seguintes classes, conforme a lista de credores apresentada nos autos:
Classe I – Créditos Trabalhistas: R$ 724.762,75
Classe III – Créditos Quirografários: R$ 92.268.178,73
Classe IV – Créditos ME/EPP: R$ 1.772.221,47
Entre os principais credores quirografários constam o BNDES, o Banco Santander (Brasil) S.A., o Banco Safra S/A, o Banco do Brasil S.A., a Caixa Econômica Federal, o Banco C6 S.A. e o Banco ABC Brasil S.A.. No segmento de fornecedores, destacam-se a Braskem S.A., a Nova Trigo Resinas Termoplásticas Ltda., a MG Polímeros Indústria e Comércio Ltda. e a Alpha Color S/A – Etiquetas e Rótulos.
Dívida Extraconcursal
A lista de credores contempla, ainda, obrigações classificadas como extraconcursais — aquelas que, por sua natureza (garantias reais mediante alienação fiduciária), devem ser satisfeitas prioritariamente, fora do concurso de credores. O total da dívida extraconcursal declarada pela empresa soma R$ 10.722.394,30. Compõem este passivo créditos junto ao Banco Toyota do Brasil S.A., Banco Volkswagen S/A, Caixa Econômica Federal (contratos de alienação fiduciária), Safra Leasing S/A Arrendamento, Santander Leasing S.A. Arrendamento e Acreditar Fundo de Investimento. Somando-se créditos concursais e extraconcursais, o passivo total declarado pela empresa alcança R$ 105.487.557,25.
Dados Processuais
O processo de recuperação judicial da Nova Chamfer tramita sob o número 4000034-92.2026.8.26.0260/SP, perante o Juízo Auxiliar – 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.
Foi nomeada como Administradora Judicial a empresa Preservar – Preserva-Ação Administração Judicial (CNPJ: 33.866.330/0001-13), representada por Bruno Galvão Souza Pinto Rezende (OAB/SP 420.341).
Principais Desafios
A recuperação judicial da Nova Chamfer coloca a empresa diante de desafios concretos e complexos. O primeiro e mais urgente é a elaboração e apresentação, no prazo legal de 60 dias, de um Plano de Recuperação Judicial viável e convincente, capaz de obter a adesão dos credores. Com um passivo concursal de quase R$ 95 milhões concentrado majoritariamente em créditos quirografários — em especial junto a grandes bancos como BNDES, Santander, Safra e Banco do Brasil —, a negociação exigirá concessões significativas em prazos e condições de pagamento.
Simultaneamente, a empresa precisará demonstrar capacidade operacional para sustentar sua geração de caixa durante o período de stay period (180 dias), mantendo a produção, honrando os compromissos extraconcursais prioritários e cumprindo as obrigações trabalhistas correntes — tudo isso em ambiente de severa restrição de crédito. Qualquer descasamento relevante entre receitas e despesas pode comprometer a continuidade e levar à convolação do processo em falência. A trajetória de mais de 24 anos no mercado de embalagens plásticas, os prêmios setoriais recentes e a carteira diversificada de clientes representam ativos intangíveis que precisarão ser adequadamente valorizados na construção de uma argumentação sólida de viabilidade econômica perante a Assembleia Geral de Credores
Para saber mais detalhes sobre como funciona o processo de Recuperação Judicial, ter acesso a artigos, doutrina, legislação e jurisprudência atualizada, acesse o link abaixo:
Para conhecer a lista completa de credores apresentada no processo, acesse o arquivo abaixo:
A publicação desta notícia, com todas as informações apresentadas, está baseada no princípio da transparência que norteia o processo de recuperação judicial. Os dados apresentados são públicos e a sua ampla disponibilização ao conhecimento da sociedade está prevista no Art. 22, inciso I, alínea 'k', e no Art. 52, § 1º, incisos I e II, todos da Lei 11.101/2005, bem como Art. 5º inciso LX e Art. 93, inciso IX da Constituição Federal.
