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Rio Verde/GO - Grupo Sousa enfrenta crise com dívida de R$ 178 milhões e pede Recuperação Judicial

  • Foto do escritor: Equipe Sergio Schmidt Advocacia
    Equipe Sergio Schmidt Advocacia
  • 28 de jul. de 2025
  • 3 min de leitura

O cenário do agronegócio, embora pujante, é suscetível a intempéries que podem abalar até mesmo os produtores mais experientes. Em um movimento que reflete os desafios recentes do setor, o Grupo Sousa, com base em Rio Verde, Goiás, teve seu pedido de Recuperação Judicial deferido, buscando reestruturar um passivo total de R$ 178.076.810,07. A medida, prevista na Lei nº 11.101/2005, visa garantir a continuidade das operações, a manutenção de empregos e o cumprimento de sua função social.


O pedido foi formulado em litisconsórcio ativo, ou seja, em conjunto, pelos produtores rurais João Vieira de Sousa, Celma Lemes Ferreira Sousa, Weuter Ferreira de Sousa e Kassuel Ferreira de Sousa, que juntos formam o grupo familiar com décadas de atuação no sudoeste goiano.


Os Fatores da Crise

A trajetória de crescimento do Grupo Sousa, que atualmente cultiva cerca de 8.000 hectares de soja e milho, foi severamente impactada por uma combinação de fatores nos últimos anos.  A petição inicial detalha uma crise multifacetada, cujas principais causas foram:


  • Crises Climáticas Severas: O fenômeno "El Niño" nos anos de 2022 e 2023 resultou em uma estiagem prolongada que, somada à queda no preço do milho, gerou prejuízos estimados em R$ 28 milhões. A situação se repetiu na safra 2023/2024, com uma nova crise hídrica frustrando a colheita e causando perdas de aproximadamente R$ 14 milhões;


  • Volatilidade de Preços: O grupo sofreu com a queda acentuada no preço da saca de soja, que em 2024 caiu para valores em torno de R$ 97,00, ante uma média de R$ 140,00 a R$ 160,00 no ano anterior, impactando diretamente o faturamento;


  • Cenário Macroeconômico Adverso: A elevação da taxa de juros (SELIC) a partir de 2021 aumentou expressivamente o custo do crédito rural. Somou-se a isso a alta do dólar, que encareceu os custos de produção, já pressionados por eventos geopolíticos como o conflito na Ucrânia, que elevou o preço dos fertilizantes e defensivos agrícolas.


Essa sucessão de eventos, conforme alegado pelos produtores, comprometeu a capacidade financeira do grupo, tornando o endividamento insustentável e a recuperação judicial, uma medida imprescindível para a superação da crise.


O Endividamento e os Credores

A dívida total sujeita aos efeitos da recuperação judicial é de R$ 178.076.810,07. A lista de credores anexada ao processo revela que os maiores valores se concentram na classe de "Garantia Real", que soma R$ 118.384.728,85. Os principais credores nesta categoria são o Banco do Brasil S/A, com um crédito de R$ 79.261.953,00, e a Caixa Econômica Federal, com R$ 34.188.790,02.


Na classe de credores "Quirografários", cujo total é de R$ 58.730.185,64, destaca-se a Cutrale Trading Brasil LTDA, com um crédito de R$ 23.770.000,00. O grupo possui ainda uma dívida extraconcursal (não sujeita à recuperação) de R$ 11.121.154,57, tendo como principal credor o Bradesco S/A.


Tramitação do Processo

O pedido de recuperação judicial foi deferido em 25 de julho de 2025 pelo juiz Gustavo Baratella de Toledo. O processo, de número 5419670-48.2025.8.09.0137, tramita na 3ª Vara Cível da Comarca de Rio Verde - GO.


Para a função de Administrador Judicial, responsável por fiscalizar as atividades do grupo e intermediar a comunicação com os credores, foi nomeado o escritório Murillo Souza Advogados Associados.


Conclusão

O deferimento do processamento da recuperação judicial marca o início de uma nova fase para o Grupo Sousa. Conforme determina a Lei nº 11.101/2005, a decisão suspende por 180 dias todas as ações e execuções movidas contra os produtores, período conhecido como stay period. Dentro de um prazo de 60 dias, o grupo deverá apresentar um plano detalhado de recuperação, que será submetido à aprovação da assembleia-geral de credores.  Este é um passo fundamental que permitirá ao grupo familiar buscar o reequilíbrio de suas contas e a manutenção de sua relevante atividade produtiva no estado de Goiás.


Para conhecer a lista completa de credores, acesse o arquivo a seguir:





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