top of page

Mineiros/GO: Com dívida de R$ 207 milhões, Grupo São José entra em Recuperação Judicial

  • Foto do escritor: Equipe Sergio Schmidt Advocacia
    Equipe Sergio Schmidt Advocacia
  • 18 de ago. de 2025
  • 3 min de leitura

O agronegócio brasileiro, pilar da economia nacional, enfrenta desafios que colocam em xeque a sustentabilidade de muitos produtores. Um reflexo recente dessa conjuntura é o pedido de recuperação judicial do Grupo São José, um conglomerado familiar com sede em Mineiros, Goiás, e operações agrícolas nos estados de Goiás e Tocantins. A medida, ajuizada em 02 de maio de 2025, visa a reestruturação de um passivo declarado de R$ 207.184.295,63, buscando a preservação de suas atividades, que englobam desde a produção de grãos até a criação de equinos de alta linhagem.


Conforme a petição inicial, requereram a recuperação judicial, em regime de consolidação processual e substancial, a pessoa jurídica e os produtores rurais que compõem o grupo familiar:


  • STEFANI & HONORATO REPRESENTACOES AGRONOMICAS LTDA

  • VINICIUS ANTONIO STEFANI

  • TATIANE HONORATO DA SILVA

  • NILMAR HONORATO DA SILVA

  • LAURA DORNELLES GUIMARAES

  • FLAVIO HENRIQUE MARCIANO CAMPOS DE SOUZA


Os Fatores da Crise

A trajetória do Grupo São José, antes marcada por reinvestimentos e crescimento, foi severamente impactada por uma sucessão de fatores externos a partir de 2020. Os requerentes apontam uma "tempestade perfeita" que desestabilizou sua saúde financeira, composta por:


  • Pandemia e Conflitos Internacionais: O cenário global pós-2020 trouxe instabilidade e elevação nos custos dos insumos agrícolas.


  • Intempéries Climáticas: O fenômeno El Niño intensificou a escassez hídrica no Centro-Oeste, o que forçou o replantio de áreas e, consequentemente, elevou os custos de produção, além de reduzir a produtividade da safra 2023/2024.


  • Queda nos Preços das Commodities: O principal golpe veio com a queda acentuada e contínua nos preços da soja e do milho a partir de 2023. A saca da soja, cujo custo de produção era estimado em R$ 180,00, chegou a ser comercializada a R$ 140,00 em 2023 e abaixo de R$ 100,00 em 2024, patamar inferior ao custo para produzir. No caso do milho, a situação foi ainda mais drástica: o preço de venda atingiu R$ 30,00 por saca, enquanto o custo de produção girava em torno de R$ 70,00.


Essa combinação de fatores, segundo os produtores, erodiu as margens operacionais e tornou o endividamento insustentável, comprometendo a capacidade de honrar os compromissos de curto e médio prazo.


Dívidas e Credores

O valor total da dívida sujeita à recuperação judicial é de R$ 207.184.295,63. A lista de credores apresentada no processo é extensa e inclui, principalmente, instituições financeiras, fornecedores de insumos agrícolas, tradings e prestadores de serviços. Não foi especificado, nos documentos iniciais, o valor total da dívida extraconcursal, aquela que, por força de lei (como as garantias fiduciárias), não se submete aos efeitos da recuperação judicial.


Andamento do Processo

O pedido de recuperação judicial foi distribuído sob o número 5339197-74.2025.8.09.0105 e tramita na Vara Cível da Comarca de Mineiros/GO.


Em decisão recente, o juiz Dr. Rui Carlos de Faria deferiu o processamento do pedido, reconhecendo que os documentos apresentados atendem às exigências da Lei nº 11.101/2005. Foi nomeada como administradora judicial a empresa VW Advogados, representada pelo advogado Dr. Wesley Santos Alves (OAB/GO 33.906), que será responsável por fiscalizar as atividades do grupo, consolidar o quadro de credores e auxiliar o Judiciário na condução do processo.


Com o deferimento, inicia-se o chamado stay period, um prazo legal de 180 dias durante o qual todas as ações e execuções contra o Grupo São José ficam suspensas. Essa medida é fundamental para que os produtores possam negociar com seus credores e elaborar um plano de recuperação que demonstre a viabilidade da continuidade de suas operações.


Conclusão

O deferimento do processamento da recuperação judicial representa o primeiro passo para a reestruturação do Grupo São José. A medida, amparada pela Lei nº 11.101/2005, tem como objetivo principal viabilizar a superação da crise, permitindo a manutenção da fonte produtora, dos cerca de 20 empregos diretos gerados , e a satisfação dos interesses dos credores, promovendo, assim, a função social da empresa e o estímulo à atividade econômica na região. O sucesso do processo dependerá agora da capacidade do grupo em apresentar um plano de pagamento viável e da aprovação deste pela assembleia de credores.


Para conhecer a lista completa de credores, acesse o arquivo abaixo:


Comentários


© 2024 Por EmpresaemCrise.com

Empresa em Crise

bottom of page