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Coxim/MS: Grupo familiar Giacomolli entra em Recuperação Judicial

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    Equipe - EmpresaemCrise.com
  • 13 de abr.
  • 4 min de leitura

A família Giacomolli, formada por produtores rurais com operações no município de Coxim, no Mato Grosso do Sul, ingressou com pedido de recuperação judicial perante a Vara Regional de Falências de Campo Grande/MS. O passivo total do grupo soma R$ 65.042.127,36 — resultado de uma sequência de desastres climáticos que destruíram safras inteiras e tornaram insustentável o nível de endividamento bancário acumulado ao longo dos últimos anos.



Quatro décadas de agricultura, do Rio Grande do Sul ao Mato Grosso do Sul

A história do Grupo Giacomolli começou em 1979, quando Paulo Giacomolli, patriarca da família, ainda adolescente, iniciou sua trajetória na agricultura no Rio Grande do Sul. Ao longo das décadas seguintes, construiu experiência e reputação no setor agropecuário.


Em 2000, Paulo e Sandra Marilice Bazotti formaram uma família e passaram a desenvolver a atividade agrícola em conjunto. Sandra arrendou suas primeiras áreas e foi ampliando progressivamente a operação: chegou a 1.550 hectares arrendados em 2018, no Rio Grande do Sul. Naquele mesmo ano, o filho Paulo César Giacomolli Júnior se juntou ao negócio, arrendando suas primeiras áreas. Em 2020, foi a vez de Letícia Jardim Giacomolli, irmã de Paulo Junior, ingressar na atividade rural.


Em busca de melhores condições produtivas, o grupo migrou para o Mato Grosso do Sul, arrendando 1.400 hectares em Coxim, onde hoje concentra suas operações. Durante toda essa trajetória, o grupo sempre honrou seus compromissos financeiros junto a bancos, cooperativas e fornecedores — até que as condições climáticas e de mercado tornaram isso impossível



Os recuperandos

O pedido de recuperação judicial foi apresentado pelos seguintes produtores rurais, que o Juízo reconheceu como integrantes de um grupo econômico familiar sujeito à consolidação processual e substancial, nos termos dos artigos 69-G, 69-J e 69-L da Lei nº 11.101/2005:


  • Paulo César Giacomolli Júnior, produtor rural, Coxim/MS.


  • Sandra Marilice Bazotti, produtora rural, Coxim/MS.


  • Letícia Jardim Giacomolli, produtora rural, Coxim/MS.


Os três atuam de forma integrada — com garantias cruzadas, credores comuns, maquinários e funcionários compartilhados —, razão pela qual o Juízo determinou o tratamento unificado dos ativos e passivos do grupo.



O que levou o grupo à crise

A crise do Grupo Giacomolli tem origem em fatores externos que se sobrepuseram ao longo de vários anos. A primeira seca grave ocorreu em 2019. Entre 2021 e 2023, três anos consecutivos de estiagem comprometeram as safras no Rio Grande do Sul. O grupo conseguiu resistir até que vieram os dois golpes finais.


Na safra 2024, que era considerada a grande virada, chuvas torrenciais caíram durante 18 dias ininterruptos sobre as áreas de colheita em Cacequi/RS. Quando o tempo abriu, a soja estava podre e ardida — recusada pelas unidades recebedoras. Menos de 12% da área havia sido colhida antes do desastre. As dívidas foram renegociadas com bancos em condições desfavoráveis, com juros elevados e sem alternativas de negociação.


Na safra 2025, a seca severa completou o colapso: sem chuvas relevantes entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025, a produção ficou em média de 5 sacas por hectare — abaixo do custo de arrendamento. Letícia entregou todas as suas áreas. Sandra e Paulo Junior desistiram das operações no Rio Grande do Sul e concentraram tudo em Coxim.


Além das perdas climáticas, o grupo sofreu o impacto da queda no preço da soja, da alta generalizada dos insumos agrícolas — fertilizantes, defensivos e combustíveis — e do aumento acelerado da taxa de juros entre 2020 e 2022. Com o CPF negativado pelo Banco do Brasil antes de qualquer outro credor, e sem crédito disponível para o próximo plantio, a recuperação judicial tornou-se o único caminho viável.



A dívida total e os credores

O passivo total sujeito à recuperação judicial do Grupo Giacomolli é de R$ 65.042.127,36, distribuído entre credores com garantia real (Classe 2) e credores quirografários (Classe 3).


Entre os principais credores com garantia real (Classe 2) estão: Banco do Brasil S.A., Banco Toyota do Brasil S.A., BB Administradora de Consórcio S.A., Cocamar Cooperativa Agroindustrial e Nutrien Soluções Agrícolas Ltda.


Entre os principais credores quirografários (Classe 3) estão: Banco do Brasil S.A., Syngenta Comercial Agrícola Ltda., Banco do Estado do Rio Grande do Sul S.A., Agrooeste Comércio e Representação Ltda., Produtiva Produtos Agropecuários Ltda., Cooperativa Mista Sul Riograndense Ltda., Câmera Agroindustrial S.A., Jucelito Bordignon e CIA Ltda., Irmãos Cioccari e CIA Ltda., Santa Izabel Transporte Revendedor Retalhista Ltda. e SLC Máquinas Ltda



Dados do processo

Número do processo: 0801789-80.2026.8.12.0001


Juízo: Vara Regional de Falências, Recuperações e de Cartas Precatórias Cíveis em Geral da Comarca de Campo Grande — Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso do Sul (TJMS).


Administradora Judicial: Ourives Marques Advogados e Consultores, representada pelo sócio Guilherme Suriano Ourives, OAB/MS nº 17.850. Contato para habilitações de crédito: aj.giacomolli@ourivesmarques.com.br



Os desafios que o grupo terá pela frente

O Grupo Giacomolli enfrenta três desafios imediatos e decisivos. O primeiro é apresentar o Plano de Recuperação Judicial dentro do prazo de 60 dias previsto no art. 53 da Lei nº 11.101/2005 — sem isso, o processo se converte automaticamente em falência.


O segundo é garantir a continuidade das operações agrícolas em Coxim. O Juízo já declarou a essencialidade dos grãos das safras 2025/2026 e determinou a manutenção da posse dos recuperandos sobre eles durante o stay period. Sem colher e vender a produção, não há como financiar o soerguimento.


O terceiro é negociar com os credores — especialmente com o Banco do Brasil, maior credor do grupo — condições de pagamento compatíveis com a capacidade real de geração de caixa da atividade rural. A recuperação judicial do Grupo Giacomolli é, em última análise, um teste sobre a viabilidade do instrumento para produtores rurais de médio porte que enfrentam crises climáticas fora do seu controle.



Para saber mais detalhes sobre como funciona o processo de Recuperação Judicial, ter acesso a artigos, doutrina, legislação e jurisprudência atualizada, acesse o link abaixo:


Para conhecer a lista completa de credores apresentada no processo, acesse o arquivo abaixo:


A publicação desta notícia, com todas as informações apresentadas, está baseada no princípio da transparência que norteia o processo de recuperação judicial. Os dados apresentados são públicos e a sua ampla disponibilização ao conhecimento da sociedade está prevista no Art. 22, inciso I, alínea 'k', e no Art. 52, § 1º, incisos I e II, todos da Lei 11.101/2005, bem como Art. 5º inciso LX e Art. 93, inciso IX da Constituição Federal.

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