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Campo Novo do Parecis/MT: Família Grespan entra em Recuperação Judicial com dívida superior a R$ 140 milhões

  • Foto do escritor: Equipe Sergio Schmidt Advocacia
    Equipe Sergio Schmidt Advocacia
  • 20 de jun. de 2025
  • 2 min de leitura

Por trás de décadas de trabalho árduo, expansão agropecuária e forte presença no Vale do Araguaia, o Grupo Grespan, liderado pelo casal Sandro Luiz Grespan e Gerusa Ascoli Grespan, protagoniza agora mais um pedido de recuperação judicial no setor agropecuário mato-grossense. A dívida declarada ultrapassa os R$ 140 milhões, distribuída entre bancos, cooperativas de crédito e fornecedores.


De uma trajetória pioneira ao endividamento

A história do Grupo começa em 1979, quando a família Grespan migrou do Rio Grande do Sul para o Maranhão, dando início a um projeto familiar baseado na agricultura e pecuária. Sandro Grespan, engenheiro agrônomo formado pela UFV e mestre em Solos e Nutrição de Plantas, acumulou experiência técnica na Fundação MT e na Agropecuária Maggi, até consolidar seu próprio projeto agrícola em Mato Grosso a partir de 2002.

Junto com sua esposa Gerusa, também sócia nas operações, o grupo investiu fortemente em terras, infraestrutura agrícola e um projeto de confinamento de bovinos. Entre as principais aquisições, estão as fazendas Água Cristalina, Campina Verde, São João e Bom Jesus, que juntas somam cerca de 2 mil hectares de área cultivável e um armazém com capacidade para 172 mil sacas de grãos.


O que levou à crise

A origem da crise remonta a 2016, com a frustração de um financiamento de R$ 5 milhões do FCO pelo Banco do Brasil, crucial para o início da agricultura intensiva. Sem acesso ao recurso, Sandro vendeu patrimônio pessoal para manter o projeto agrícola. O agravamento veio com a negativa parcial de mais R$ 2 milhões do Banco da Amazônia e, principalmente, com o prejuízo causado pelas fortes chuvas em 2020, que inutilizaram cerca de 600 hectares de soja e levaram a um prejuízo de mais de R$ 10 milhões, incluindo penalidades por não entrega de contratos com Louis Dreyfus e Bunge.

Com dificuldades para acesso a crédito de longo prazo, o grupo viu-se obrigado a recorrer a financiamentos de curto prazo e juros elevados, agravando o endividamento. Tentativas de diversificar a receita com projetos de confinamento e produção de ração não foram suficientes para reequilibrar o fluxo de caixa. Entraves ambientais com o IBAMA e aumentos expressivos nos custos de construção do armazém durante a pandemia também contribuíram para a descapitalização.


Quem são os principais credores?

A lista de credores revela um endividamento altamente concentrado no sistema bancário. O destaque vai para:

  • Caixa Econômica Federal: aproximadamente R$ 22,4 milhões, incluindo contratos para construção de armazém e infraestrutura agrícola.

  • Banco do Brasil S.A.: mais de R$ 30 milhões em financiamentos diversos (custeio agrícola, estocagem, correção de solo e aquisição de máquinas).

  • Banco Santander: aproximadamente R$ 11,4 milhões.

  • Cooperativas Sicoob e Sicredi: mais de R$ 13 milhões em créditos diversos.


Considerações finais

O caso da Família Grespan ilustra com clareza os riscos e desafios enfrentados por produtores rurais que, mesmo com sólida formação técnica e histórico de trabalho consistente, sucumbem diante da combinação explosiva de falta de crédito adequado, intempéries climáticas, burocracia ambiental e oscilações de mercado.

A queda de um grupo tão promissor é um sinal de alerta para a fragilidade de políticas públicas de financiamento e o peso que a má estruturação de crédito pode ter na sustentabilidade do agronegócio brasileiro.


Para conhecer a lista completa de credores, acesse o link abaixo:


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