Avicultura em crise. Grupo Scanacapra do Paraná entra em Recuperação Judicial
- Equipe Sergio Schmidt Advocacia
- 4 de set. de 2025
- 2 min de leitura

O Grupo Scanacapra, conjunto familiar de produtores rurais com sede em Santa Cruz de Monte Castelo, no Paraná, deu entrada com um pedido de Recuperação Judicial, buscando reestruturar um passivo de mais de R$ 20,8 milhões. O processamento do pedido foi deferido em 6 de agosto de 2025 pelo juízo da 3ª Vara Cível e Empresarial Regional de Maringá/PR. A família, que atua há mais de 17 anos no agronegócio, dedica-se principalmente à avicultura, além de outras atividades de agricultura e pecuária. O objetivo do processo é viabilizar a superação da crise econômico-financeira, permitindo a manutenção das atividades produtivas e a negociação organizada com os credores, conforme os princípios da Lei 11.101/2005.
O pedido de recuperação judicial foi requerido em regime de consolidação substancial, abrangendo os produtores rurais e suas respectivas empresas:
Fabiano Scanacapra
Adriana Cristina Garcia Linares Scanacapra
Aviários Scanacapra (empresa individual de Fabiano Scanacapra)
A CGL Scanacapra (empresa individual de Adriana Scanacapra)
Locação Scanacapra
Os Principais Motivos da Crise
A petição inicial apresentada pelo Grupo Scanacapra detalha uma série de fatores que, combinados, levaram ao estado de crise. Entre as causas, destacam-se os impactos da pandemia de COVID-19 no setor avícola , o elevado nível das taxas de juros no mercado , a contratação de dívidas bancárias em condições onerosas e eventos climáticos adversos, como a severa estiagem que atingiu o Paraná em 2025.
A situação foi agravada por dois eventos específicos. Primeiro, a crise de zoonose aviária que impactou o estado em 2025, resultando no fechamento de mercados e em uma queda drástica no preço da carne de frango. Segundo, um incêndio ocorrido em 10 de agosto de 2024 em uma das instalações do grupo (aviário 7), que resultou na perda de mais de 9.800 pintainhos e comprometeu significativamente a produção.
Valor da Dívida e Principais Credores
A dívida total sujeita aos efeitos da recuperação judicial é de R$ 20.828.962,96. Embora a lista completa de credores seja extensa, alguns dos principais nomes que figuram no passivo concursal incluem instituições financeiras e fornecedores, tais como:
Banco do Brasil S.A.
ISL Importação e Exportação Industria e Comercio LTDA
Banco Bradesco S.A.
Adicionalmente, foi apresentada uma relação de créditos classificados como extraconcursais, ou seja, que não se sujeitam ao plano de recuperação, no valor total de R$ 13.428.044,77. Nessa classe, os principais credores são cooperativas de crédito, como a Cooperativa de Credito Poupanca e Investimento Rio Parana Sicredi Rio Parana e a Cooperativa de Credito Sicoob Metropolitano.
Informações do Processo
Para os interessados em acompanhar o caso, seguem os dados processuais:
Número do Processo: 0017606-95.2025.8.16.0017
Juízo: 3ª Vara Cível e Empresarial Regional de Maringá/PR
Administrador Judicial: Auxilia Consultores LTDA
Conclusão
O deferimento do processamento da recuperação judicial marca o início de uma nova fase para o Grupo Scanacapra. A partir de agora, a família de produtores rurais terá o prazo de 60 dias para apresentar um plano detalhado de reestruturação aos seus credores, conforme estipula o artigo 53 da Lei 11.101/2005. A medida suspende as ações de execução contra o grupo , garantindo um ambiente mais estável para a negociação e para a continuidade de suas atividades, que desempenham um papel relevante na economia da região de Santa Cruz de Monte Castelo.




Comentários