João Pessoa/PB: Grupo Empórium entra em Recuperação Judicial
- Equipe - EmpresaemCrise.com

- 17 de jul.
- 4 min de leitura
Justiça da Paraíba autoriza a reestruturação do Grupo Empórium, com o deferimento do processamento da Recuperação Judicial

A Justiça da Paraíba deferiu o processamento da recuperação judicial do Grupo Empórium, conglomerado de empresas atuantes no comércio varejista e atacadista de carnes e na distribuição de proteínas no estado. A decisão autoriza as empresas do grupo a reorganizarem suas dívidas sob a proteção da Lei 11.101/2005, suspendendo temporariamente ações e execuções movidas por credores.
A trajetória do Grupo Empórium
O Grupo Empórium iniciou suas atividades em 2007 como um pequeno açougue de bairro, com foco na qualidade dos produtos oferecidos aos clientes. O reconhecimento do mercado impulsionou a expansão do negócio, que passou a operar sob a marca "Empórium dos Alimentos", investindo em estrutura própria de câmaras frigoríficas de alta capacidade.
Com o crescimento, o grupo diversificou sua atuação e lançou a marca boutique "Carnes & Cortes", voltada a cortes nobres e atendimento personalizado, conquistando por três anos consecutivos o reconhecimento de melhor frigorífico de João Pessoa e sendo destacado como case de sucesso pelo SEBRAE/PB. Em 2022, após quinze anos de atuação consolidada, o grupo deu início ao braço de distribuição atacadista de proteínas, passando a atender supermercados, restaurantes e atacarejos em toda a Paraíba
Empresas e empresários com recuperação judicial deferida
Tiveram a recuperação judicial deferida, em regime de consolidação processual e substancial, as seguintes sociedades:
Emporium Distribuidora de Alimentos Ltda.,
Carnes, Frutos do Mar Comércio Ltda.,
Frigocarnes Comércio de Alimentos Ltda.,
Frigorífico Oitizeiro Comércio de Alimentos Ltda. e
Frigorífico Borba Comércio de Alimentos Ltda.
Os motivos da crise econômico-financeira
Segundo a petição inicial, a crise do grupo decorre da combinação de fatores macroeconômicos, como a inflação elevada e a taxa Selic em patamar de 14,50% ao ano, um dos maiores em duas décadas, com dificuldades específicas do modelo de negócio. A operação atacadista da distribuidora exige o pagamento de fornecedores à vista ou em curto prazo, enquanto o recebimento das vendas ocorre de forma pulverizada e a médio prazo. A esse descompasso somou-se a inadimplência concentrada em clientes estratégicos do braço de distribuição, que gerou pressão sistêmica sobre o caixa de todo o grupo, levando as empresas a recorrer a empréstimos onerosos que elevaram significativamente o endividamento.
A dívida sujeita à recuperação judicial e os principais credores
O total de créditos sujeitos à recuperação judicial soma R$ 25.249.256,46. Entre os principais credores da lista apresentada, destacam-se: Banco do Nordeste do Brasil S.A., Caixa Econômica Federal, JBS S/A, Banco Bradesco S.A., Banco Santander (Brasil) S.A., Banco Daycoval S.A. e Itaú Unibanco Holding S.A.
A dívida extraconcursal
Além dos créditos sujeitos ao plano de recuperação, o Grupo Empórium possui R$ 1.472.810,12 em dívidas extraconcursais, que permanecem exigíveis fora do processo, distribuídas entre quatro credores: Banco do Nordeste do Brasil, Banco Santander, Itaú Unibanco e a empresa GO Trade Importação e Exportação.
Dados processuais
O pedido tramita sob o número 0803924-72.2026.8.15.3011, perante a Vara da Infância e Registro Público da Comarca Integrada de Bayeux e Santa Rita/PB. Foi nomeado como administrador judicial o contador Ricardo Araújo Carvalho.
Os desafios do setor de proteínas
O setor de distribuição e comércio de proteínas animais convive historicamente com margens reduzidas e alta sensibilidade a variações de custo, o que torna empresas do ramo especialmente vulneráveis a ciclos de juros elevados como o atual. A combinação entre giro intenso de mercadorias perecíveis, necessidade de capital de giro constante e prazos apertados de pagamento a fornecedores exige das empresas do setor uma gestão financeira rigorosa, sob pena de comprometimento rápido da liquidez, como evidenciado no caso do Grupo Empórium.
Adicionalmente, negócios que combinam operações de varejo e atacado, como o grupo paraibano, enfrentam o desafio de equilibrar modelos de recebimento distintos, sendo o pulverizado no varejo e o mais concentrado e sujeito a inadimplência no atacado, o que amplia a complexidade da gestão de caixa em cenários de aperto monetário.
Os desafios do Grupo Empórium na recuperação judicial
Para o Grupo Empórium, o principal desafio à frente será apresentar, no prazo de 60 dias fixado pelo juízo, um plano de recuperação capaz de equacionar o elevado volume de dívidas bancárias que compõem a maior parte do passivo concursal, sem comprometer o capital de giro necessário à manutenção das operações de distribuição, que dependem de fluxo constante de mercadorias perecíveis.
O grupo também precisará reconstruir a confiança de fornecedores estratégicos do setor de proteínas, muitos deles concorrentes ou parceiros históricos que figuram entre os credores, além de reverter os índices negativos de liquidez e o patrimônio líquido já negativo apontados nas demonstrações financeiras apresentadas, sob pena de convolação em falência caso o plano não seja aprovado pela assembleia geral de credores.
Para saber mais detalhes sobre como funciona o processo de Recuperação Judicial, ter acesso a artigos, doutrina, legislação e jurisprudência atualizada acesso o link abaixo:
Para conhecer a lista completa de credores apresentada no processo, acesse o arquivo abaixo:
A publicação desta notícia, com todas as informações apresentadas, está baseada no princípio da transparência que norteia o processo de recuperação judicial. Os dados apresentados são públicos e a sua ampla disponibilização ao conhecimento da sociedade está prevista no Art. 22, inciso I, alínea 'k', e no Art. 52, § 1º, incisos I e II, todos da Lei 11.101/2005, bem como Art. 5º inciso LX e Art. 93, inciso IX da Constituição Federal




Comentários